SALUBA MEDÉIA, SEM TERRA E SEM TERREIRO
Posted on sexta-feira, 13 de setembro de 2013
A introdução. Tenho
aproveitado a introdução de minhas críticas para versar sobre todo tipo de
assunto relacionado ao blog e, como não poderia deixar de ser, ao teatro. Assim
como reafirmar opiniões, ressaltar pensamentos, tirar dúvidas e fazer
esclarecimentos, enfim. Sendo assim, vou me valer deste oportuno momento para tecer
sobre uma recente discussão em que estive imbuído juntamente a um grupo de
pessoas amigas, ligadas diretamente ao teatro, onde discutíamos a despeito da “estreia”
de um espetáculo. No referido embate, eu defendia a tese de que a estreia de
uma montagem não é absolutamente um momento favorável para se fazer uma crítica,
e que, particularmente, não gosto de assistir espetáculos em seu debute. Sou um
profundo conhecedor do processo de estreia, pois já vivenciei os dois lados da
cena, tanto como ator quanto como diretor. Por isso sei bem do que estou
falando. E ingênuo é quem pensa que um espetáculo está pronto quando estreia. Pensar
assim é enxergar o processo com um olhar que não é translúcido. Estreia é parto
- filho que precisa crescer. E em meio a argumentos e justificativas defendidos
por ambos os lados, seguimos com a discussão que, ao final, resultou inconclusiva
deixando cada um dos envolvidos no saudável embate com aquele gostinho de que
algo ficou mal resolvido. Porém, a minha convicção, pautada na ampla
experiência envolto à prática teatral, em mais de trinta anos de estrada, permaneceu
inabalável. Então, optei por assistir Saluba. Medeia em seus últimos dias da temporada, intencionado
a ver um espetáculo maturado, melhor depurado, circunspecto. E como havia o propósito de escrever criticamente
sobre o mesmo, a minha opção foi mais que acertada. Trabalhando no teatro
Lourival Baptista, aos domingos, durante toda a temporada do Caixa Cênica, foi
quase que inevitável ter sido procurado por algumas pessoas com o afã de comentar
e opinar sobre o espetáculo que assistiram. É claro que esse material não me
serve de matéria-prima para o que vou escrever, mas uso isso como um laboratório:
ouço atentamente a tudo, faço algumas anotações e, após assistir ao espetáculo,
confiro se o que as pessoas disseram partiu de uma opinião de trato pessoal, de
uma observação técnica ou por não compreender o objeto apresentado. Na verdade
essas opiniões têm servido apenas como um termômetro, a fim de me testificar sobre
o que estou vendo como crítico, e o que o público - incluindo os fazedores de
teatro - está vendo como espectador. Foi assim com os espetáculos, Na Praia, 1855;
O Natimorto, e, agora, com o Saluba.Medeia. Entretanto, um fato me chamou muito
a atenção em relação aos dois últimos espetáculos: a quase unanimidade de que o
espetáculo Saluba.Medeia não era bom. E foi munido de tudo que vi, ouvi e
observei que vou afiar a língua, mais uma vez, em mais uma produção sergipana: o
espetáculo Saluba.Medeia, que esteve em temporada durante todo o mês de agosto,
as sextas, sábados e domingos, no palco do Lourival Baptista. Desta feita, uma
produção que une em parceria a Cia. de Artes Mafuá, o Grupo Teatral Caixa Cênica
e o ator, diretor e dramaturgo, Celso Jr. O texto Saluba.
Medeia, do dramaturgo Celso Jr., entra
para a galeria como mais uma dramaturgia dedicada ao mito, este que representa
uma das maiores tragédias do teatro mundial já escritas: Medéia. Várias foram as
versões dedicadas a este mito, no mundo todo. No Brasil, a mais conhecida foi Gota
d’ Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, interpretada pela inigualável Bibi
Ferreira, cognominada Joana. Mas, sem dúvida, as mais importantes foram a do
grego Eurípedes, marcada pela força da poesia, e a do italiano Sêneca, que
apresenta a força do drama. O texto dramático de Celso Jr. bebe na fonte desses
dois expoentes da dramaturgia mundial, embora assuma ter pesquisado todo o seu
texto em Sêneca, o que é verídico. O grito de Medéia elevado ao tom alto no início
do espetáculo identifica que a base do texto inspira-se na dramaturgia de
Sêneca, porém, é visível encontrar elementos da dramaturgia poética de Eurípedes,
principalmente nas frases de efeito que são continuamente repetidas, e também
no coro. O texto tem uma dramaticidade poética muito bem costurada numa colcha
de retalhos que Celso Jr. criou bebendo em tantas outras Medéias. Também
arquiteta seu texto numa estrutura diferente, e substitui as cenas por episódios.
É essa a sensação que temos: a de estarmos lendo episódios, capítulos e não
cenas de teatro. Muito bom. Seu texto alinhava a história de Medéia com a
inserção dos orixás, vários mitos do candomblé, em especial Nanã, o mais antigo
orixá da Nação de Daomé. Sendo assim, o texto tenta nos levar a crer que há uma
leve semelhança existente entre as duas. Não há. Segundo pessoas ligadas ao
candomblé, as quais tive o cuidado de ouvir, é um equivoco tentar criar
qualquer semelhança. Medéia é uma assassina, mata por ódio, vingança. Nanã não.
Nanã simboliza a morte, é o rito de passagem, a morte é da natureza de Nanã, a
morte em Nanã faz parte do ciclo da vida, enquanto que a natureza de Medéia é assassinar
a vida. Faltou sensibilidade em não compreender as marcas indeléveis de cada
mito. Querer fundir esses dois mitos tão distintos em um só é um equivoco,
afirmam algumas pessoas ligadas ao animismo africano com quem conversei sobre o assunto. Penso que, talvez,
Celso Jr. devesse ter consultado um pai ou mãe de santo, ou quaisquer outras pessoas
ligadas ao culto para se munir de mais informações substanciando, assim, a sua
pesquisa. Apesar de considerar um antropólogo extremamente capacitado para
falar sobre o tema, penso não ser ele o único detentor desse conhecimento, pois
a práxis popular é fundamentalmente imprescindível para se construir um
pensamento, formular uma ideia. A concepção é pontuada por altos e baixos: alguns momentos
construídos por grandes cenas, outros envoltos a cenas mal resolvidas, e em
determinadas ocasiões por uma dicotomia na interpretação. O preâmbulo que dá
início ao espetáculo é deveras interessante, onde o distanciamento criado pelo
diretor colocando as personagens para falar com a plateia, prevenindo-a do que ela
estará prestes a assistir, e abrindo as portas convidando-a a se retirar em
tempo foi um show de bola. O que destoa, no entanto, é a caracterização na íntegra
dos figurinos das personagens Jasão e Ama neste momento onde quem se apresenta,
supostamente, é o coro. Isso empobrece a boa ideia, visto que ali ainda não assinala
o espetáculo em si, é apenas o seu preâmbulo. Outra coisa interessante no
espetáculo é a divisão das encenações representadas por territórios a partir de
seus mapas cartográficos, onde está traçado o território de Medéia, assim como o
das outras personagens, ficando, então, o centro do cenário reservado às ações,
aos conflitos e confrontos. Outra coisa que não se define bem é a intenção do
diretor em fundir a performance dos orixás com a ação física das personagens, o
que não funcionou muito bem, pois apenas a atriz que interpreta a ama consegue compor
com fidelidade o gestual do orixá Oxum. A simples troca de roupa de Medéia não
a caracteriza como Nanã, faltam elementos em sua postura corporal para que uma plateia
leiga, por exemplo, possa compreender que ali é uma velha centenária se
movendo. Ao colocar Medéia com o facão na mão para matar os filhos, agora sendo
Nanã, Celso Jr. comete o segundo equívoco, na opinião das pessoas que ouvi, e que
como já mencionei são intrinsecamente ligadas ao culto: Nanã jamais usaria
metal para interromper o sopro de suas crias, pois este elemento é o símbolo
mais representativo do seu opositor, Ogum. Ignorar essa especificidade, pois
que ao realizar os inevitáveis sacrifícios Nanã os faz com armas de madeira, é
no mínimo desprezar a característica mais forte da lenda que é a ligação desses
orixás pelos seus objetos: madeira versos metal. Outra coisa difusa na
encenação é a dicotomia entre as interpretações dos atores Diane Velôso e Celso
Jr. na representação de suas respectivas personagens. A dramaticidade que Diane
busca dar a sua Medéia é vero, porém a de Celso causa profunda estranheza.
Jasão, que também é Oxaguiã, o príncipe guerreiro, apresenta uma passividade
recitativa que não corresponde nem a sua personalidade, nem a do mito, e que se
defronta totalmente contrária à atitude de combatividade de Medéia. E a
sensação que se tem é de estarmos assistindo a dois espetáculos diferentes ao
mesmo tempo, ou ainda a dois atores de espetáculos diferentes no mesmo
espetáculo: um com uma atmosfera mais quente, e o outro com uma nem quente, nem
fria, morna. Falta rudez em Jasão. Apesar desses percalços a encenação traz
também cenas belas, como a cena em que Medéia prepara os presentes para os
filhos entregarem à noiva; a cena em que os braços de pau de Creonte são carregados
pelo mensageiro para anunciar a sua morte; a postura primitiva de Creonte no
uso dos braços de pau, ou ainda, sem dúvida, a mais bela de todas, que é o
momento final em que Medéia pega as rédeas do transporte ou - adentrando as
funduras da filosofia - as rédeas do seu destino, e parte deixando para trás o
rastro de tragédia. O coro é uma
proposta que conflui contextualmente com o universo trágico de Medéia - uma
alusão aos ditirambos que, à época grega, se apresentavam com função ritualística
com a finalidade de pontuar a história. Porém o seu objetivo não se concretiza,
pois não expressa a força, a robustez e a unidade que exige, e mais parece ser o
fardo dos atores no espetáculo. Não se ouve bem o que o coro diz, os atores usam
máscaras, mas falam como se não as estivessem usando. É preciso trabalhar a
fala do coro na perspectiva do uso da máscara, pois exige uma técnica
particular. Aliás, com raros momentos de boa técnica vocal, a voz é o maior
problema do espetáculo. O texto em off dito por Medéia está opaco, não tem o
vigor que precisa. Ele não explode, e não condiz com os movimentos que Médeia faz
em consonância com o texto que está sendo dito. A entrada de Jasão, totalmente
apático e sem dramaticidade, depois de ter lutado como um leão para conter o
incêndio que tinha tragado para a morte seu sogro e sua futura esposa, é uma
mostra dessa dicotomia interpretativa. Sem falar que, vale ressaltar, Jasão ainda
volta todo arrumadinho e engomadinho desse entrave como se nada tivesse acontecido,
sem nenhuma marca de fuligenzinha sequer na roupa, no corpo, nada. Tudo é muito
branquinho. Uma cena que era para ser o ápice do espetáculo vira uma cena morna,
de dramaticidade morna, de tudo, restando ao público uma luz solitária tentando
dialogar com a plateia de que ali aconteceu uma grande tragédia ou, mais
precisamente, um grande e destruidor incêndio. Outra inserção completamente
fora de propósito é o uso da bandeira do MST no vestido de Medéia. Busquei todas
as informações que pude pegar, viajei aos quatro cantos a fim de encontrar uma
liga, algo que pudesse remeter uma coisa a outra e não consegui enxergar. A
luta do MST é por uma divisão das terras improdutivas, é por uma agricultura familiar
mais saudável e sustentável. A luta de Medéia é exclusivamente pelo seu amor
doentio, é para ter Jasão. O MST é um movimento social, Medéia luta por uma
vingança pessoal. O MST não tem terras, Medéia não tem pátria. Fazer essa mistura
não foi uma boa alquimia. O cenário é extremamente criativo. Suas paredes perpendiculares
nos dão a sensação
de estarmos numa caverna ou num cânion, ou ainda envolto de paredões, os mapas
desenhados como se fossem papiros pontuando as localidades onde se desenrola a
trama, a extrapolação da quarta parede pelo cenário invadindo a plateia é
perfeito. Faço uma ressalva ao pouco uso do banco pelas personagens, pois deixa
previsível que o banco será usado em uma única cena que está sendo aguardada. Os figurinos são igualmente criativos, a exemplo da roupa da ama
que tem o avental como extensão da blusa; as mantas do coro vestidas de uma
forma que nos dão a
impressão de estarmos diante de viajantes; a roupa de Creonte; as roupas
básicas que compõem bem com os figurinos principais; o vestido de Medéia para
lá de versátil, e de uma praticidade quase que invisível de se retirar partes
dele sem que a plateia perceba, é muito bom. É nítido ver um figurino bem
cuidado, fruto de uma boa pesquisa. Os adereços seguem o mesmo padrão de coerência dos figurinos. Os
adereços de cabeça da ama e de Creonte são um charme, a peruca de Medéia a
torna mais macabra e o turbante ou peruca de Jasão o deixa meio Yuppie. As máscaras dão ao coro um ar
medieval e as basqueteiras - criticadas por muita gente - têm coerência quando inseridas
na estética do figurino da personagem. Por exemplo, a basqueteira de Médeia
está totalmente coerente com a cor do espetáculo. A de Jasão também se
harmoniza com sua roupa branca. No entanto, as basqueteiras brancas da ama e de
Creonte destoam do geral dos seus figurinos, já que não houve uma unidade. A maquiagem é ótima, e há um destaque para o realce dos olhos,
deixando as personagens sombrias e enigmáticas. Interessante pontuar que a
maquiagem sempre foi trabalhada com muito esmero pelo Grupo Caixa Cênica, desde
a sua primeira montagem. Acho o efeito do sangue dos filhos de Medéia muito bom,
mas pouco visível. A luz é bem
concebida e consegue nos aprisionar naquele local inquietante de Medéia, e tem
seu ponto alto quando do incêndio que atinge a cidade - tive a sensação de fogo
perto de mim. A cena poderia ter sido melhor se a sua interpretação não tivesse
ficado tão aquém. A trilha sonora
é sutil, porém não menos presente, e se coloca totalmente à disposição da encenação.
Chega sem previsibilidade, mas pontua muito bem as cenas com força e
personalidade, e é iminente a inserção dos elementos da música negra, tribal. Na
trilha sonora de Saluba.Medeia, a execução também segue o mesmo padrão de
qualidade. Na interpretação, o trabalho dos atores também não foge à regra dos
altos e baixos, oscila entre o bom e o regular, e tem como ponto nevrálgico o trabalho
vocal do grupo, problema que caminha com todos os atores durante todo
espetáculo. Diane Velôso constrói
sua personagem Medéia (Nanã) dramática
e perversa, a la Sêneca, e busca coerência no seu desempenho, e o faz com muita
dignidade, mas é visível o esforço que a atriz faz para não comprometer a
atuação. Um ponto bonito a apreciar é a sutileza com que tira as peças de roupa.
Suas ações físicas são muito boas, mas pouco precisas, e o cansaço vocal é
perceptível. Na cena em que Medéia está de quatro, por exemplo, no início do
espetáculo, praticamente não se escuta quase nada, somente pude compreender o
texto a partir da leitura que fiz. Celso
Jr. já constrói um Jasão (Oxaguiã)
recitativo, como já disse, contido, pouco eficaz para a encenação, que vai completamente
à contramão da interpretação de Diane, e de forma tão gritante que às vezes a
cena tende a ir para o dramalhão. Em momentos dos diálogos de Medéia e Jasão
falta verdade cênica, sentimento, dramaticidade, tragédia. Na cena do incêndio,
a disparidade é tão grande que a impressão que se tem é que é dialogo de um ator
só, a cena não explode. Sua dicção também oscila, hora muito boa, hora com deficiências.
Esse fenômeno foi uma constante no espetáculo, do começo ao fim. Denver Paraizo interpreta um Creonte (Omolu) com postura primata, provavelmente
apontando o gestual de seu orixá, e o faz com louvor, utiliza muito bem dos
braços de pau e mostra uma habilidade de quem malhou muito para chegar a tal
estágio, e sua dicção é a melhor de todo o elenco: voz forte, encorpada e
audível. Com certeza, Creonte, de Denver, é a personagem melhor construída de
todo o espetáculo. Leila Magalhães em seu trabalho corporal impressionou
bastante, sua expressividade e suas reações corpóreas, como as ações físicas da
ama (Oxum) no diálogo com Medéia
quando de sua visita é arrepiante, e uma concentração invejável. Detalhe
ressaltar, só Leila consegue com precisão expressar visualmente seu orixá, um
trabalho digno de parabéns. Mas no quesito voz, Leila foi a atriz que teve mais
dificuldades. Faltou força, articulação e volume. O coro é mal
resolvido, falta identidade, não tem força. O coro tem a função de intercalar os
episódios, isso não acontece com eficiência. Frases e pensamentos belíssimos
que se esvaem e se perdem numa voz contida, inaudível. Quanto às considerações finais, Saluba.Medeia tem tudo para ser um grande espetáculo:
tem um texto muito bom, uma ideia de direção muito boa, um elenco que dispensa
apresentações e uma super produção, mas ainda não o é. É preciso colocar o trem
na linha e fazê-lo andar sem problemas. Afinal, o espetáculo vai viajar e
representar Sergipe, e para não fazer feio é preciso melhorar muito. Precisa conquistar
as suas terras e encontrar o seu terreiro.
* Medéia (Eurípedes); Medea (Sêneca); Medeia (Celso Jr.)
FICHA TÉCNICA
Texto e Direção: Celso Jr.
Elenco:Diane Velôso: (Medeia)
Celso Jr. (Jasão)
Denver Paraizo (Creonte/Mensageiro/Coro)
Leila Magalhães (Ama/Coro)
Direção de Arte (Cenografia/adereços/figurinos/maquiagem e máscaras): Roberto Laplagne
Assistente de cenografia, figurinos e adereços: Kau Farias
Assistente de figurino: Patrícia Brunet
Costureiras: Neres de Vasconcelos e Ana Maria Santos
Peruca Medeia: Agamenon de Abreu
Peruca Jasão: Franciane Melo
Iluminação e operação de luz: Sergio Robson
Trilha sonora e sonoplastia: Alex Sant’ Anna e Leo Airplane
Operador de som: Jonas Lisboa
Contra-regragem: Marcelo Paz
Fotografia: Victor Balde
Registro videográfico: Eduardo Freire
Edição de vídeo: Lu Silva
Designe gráfico: Gabi Epinger (Calango Designe Comunicações)
Assessoria de comunicação: Manoela Veloso e Wendell G. Barbosa
Produção: Nah Donato, Diane Velôso e Viviane D’ Arc
Direção de produção: Leila Magalhães
Realização: Grupo Teatral Caixa Cênica e Cia. de Artes Mafuá
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