.jpg&w=750&q=100) |
| Foto: Ascom/Funcaju |
A
INTRODUÇÃO: Oi nóis aqui traveis! Depois da hibernação justa e necessária, o blog língua afiada está de volta para fazer uma análise técnica, minuciosa dos espetáculos em cartaz no nosso território. Há que se enfatizar que esta não é uma crítica jornalística, como tão bem fazem na imprensa vários outros críticos, a exemplo de Téo Junior e Feliciano José, que estão entre os mais famosos e mais lidos. Essa é uma crítica que desnuda tecnicamente o espetáculo, com o intuito de investigar e apontar os acertos e os erros que o trabalho possa ter. Não é uma crítica baseada no meu ponto de vista, gosto pessoal, ou de como faria o espetáculo - o que seria um equívoco. Mas, uma análise técnica a partir do que me foi apresentado na encenação. Dito isto, quero começar a introdução narrando um bate-papo que tive com o diretor carioca, e amigo, Sidnei Cruz, que esteve em Aracaju, no ano passado, para desenvolver um trabalho com o Grupo Teatral Caixa Cênica. O papo girou em torno da impressão negativa que o mesmo havia tido sobre a “interpretação” dos nossos atores, em especial os recém-iniciados na arte de representar. Durante os oito dias em que esteve em nossa terra, teve a oportunidade de assistir a sete espetáculos dos grupos locais, e que a má atuação destes profissionais - “atores interpretando sem ao menos justificar o simples fato de estarem em cena” - ele atribuía à falta de direção ou à falta de atuação dos diretores. Segundo palavras de Sidnei, exceto em alguns casos, “os atores sergipanos não sabem interpretar”. A meu ver, isso é definitivamente preocupante, pois todos os dias estão surgindo novos atores sem as mínimas condições de atuação. E isso também pode ser estendido para o nível de nossas produções que, com raras exceções, são bem abaixo da média. Então, o língua afiada quer se imbuir dessa função: a de provocar a nossa cena teatral, e fazer uma reflexão frente à análise técnica acerca da qualidade dos trabalhos produzidos. Claro, com toda a modéstia que lhe é peculiar (ao blog), e sem a pretensão de ser o suprassumo do assunto, mas, de ser um provocador com o intuito lógico de aprimoramento dos espetáculos. Como diretor, contabilizando mais de trinta anos de experiência no teatro, não faço uma análise solitária, fechada em minha redoma; sempre consulto outros amigos de teatro que assistiram às montagens para as quais pretendo direcionar a minha crítica, a fim de confluir aos meus embasamentos outras perspectivas e visões. E pelas experiências os conflitos são poucos, no geral nossas percepções sobre os espetáculos são bem idênticas. Isto posto, vamos, portanto, afiar a língua no espetáculo Dando nó em pingo d’água, da Eitcha Companhia de Teatro, de Aracaju! O
TEXTO: Escrever um texto de teatro não é tarefa das mais fáceis, embora muita gente se considere apto a escrever. É preciso conhecer bem da língua portuguesa, escrever bem ortograficamente, conhecer de literatura e da literatura teatral, e ter boas ideias. Quando a ideia é original, ou seja, é sua, esse caminho se torna um pouco mais facilitado. Porém, quando seu texto é inspirado na obra de alguém ou adaptado de outra obra, aí o bicho pega, aí o buraco é mais embaixo! Precisa ser profundo conhecedor da dramaturgia que vai trabalhar. Dando nó em pingo d’água, de André Santana, foi adaptado do texto A posse do prefeito, do dramaturgo paraibano José Maria Rodrigues, e inspirado nos teatros de Altimar Pimental, Ariano Suassuna e Aglaé Fontes, todos nordestinos, todos representantes da dramaturgia do teatro popular. O texto de Santana é um recorte compilado de vários recortes dos autores citados, com uma predominância no teatro de Ariano Suassuna. Benedito, personagem do texto de André, é a personificação de João Grilo, de O Auto da compadecida, ou do personagem Cancão, de O Casamento suspeitoso, ambos da dramaturgia de Ariano Suassuna - aquele personagem que costura toda a história, sempre envolvido numa pendenga que tem que resolver utilizando toda a sua astúcia para se livrar do problema. Porém, o texto não traz nada de novo, pois se utiliza de uma fórmula que já existe, e é referência na dramaturgia popular. Apesar de recorrente, não há problema algum em repetir fórmulas. A questão é que o texto tem vários nós na construção do seu arcabouço, a começar pela época em que a história acontece, há muita confusão. Fica claro em alguns momentos que o texto se passa numa cidadezinha do interior, numa época antiga, em que o prefeito ainda era chamado de capitão, justificada pelo linguajar popularesco adotado pelos personagens da peça, porém, não há uma sequência lógica nas falas. Em um determinado trecho do texto um personagem utiliza de uma expressão popularesca, a exemplo de “eicha pentcha”, e em seguida usa uma palavra rebuscada, contemporânea. Ou quando os personagens citam fatos e acontecimentos modernos, como falar da lei Maria da Penha, citar o excerto da música de Roberto Carlos, “esse cara sou eu”, ou ainda se remeter à inflação, à moeda atual. Essas pequenas incoerências deixam o texto confuso, e mais que descaracterizar a época em que a peça se passa não a explicita conceitualmente. É possível inserir a realidade política vigente num texto de época, porque as questões sociais são atemporais. No entanto, não é preciso pontuar os acontecimentos políticos do momento presente para exprimir essa realidade, soa frívolo, pueril. Outro erro na construção do texto é que no momento da posse o prefeito em sua fala continua prometendo ao povo o que já prometera durante a campanha. No dia de sua posse isso seria incongruente, pois a eleição já aconteceu, e ele saiu vencedor. Penso que o autor precisa realinhar o texto e corrigir essas distorções para dar unidade ao mesmo. A
CONCEPÇÃO: Dirigir um espetáculo de teatro também não é tarefa fácil. Se você começa dirigindo errado a tendência é prosseguir errando até o fim. Qualquer pessoa pode dirigir um espetáculo, mas não é qualquer pessoa que pode ser um diretor de teatro. Para ser um diretor de teatro ou encenador, como também pode ser classificado, é preciso ter o mínimo de conhecimento sobre a arte de representar, ser criativo e intuir bem. Outra coisa imprescindível é ter conhecimento do universo que rege a arte de dirigir, conhecer as vertentes da encenação. É preciso saber o que se está fazendo para identificar em que contexto o seu trabalho se localiza: se é popular, se é drama, se é teatro realista, se os exercícios utilizados no processo de construção do trabalho foram de Grotowski ou Stanislávski, e isso é só o começo. Se seu caminho é o teatro popular, é preciso conhecer as suas especificidades, entender sua dramaturgia peculiar, suas indumentárias marcantes, e a forma de interpretação particular, enfim. Para ser diretor de teatro não basta apenas ter uma boa ideia. Faz-se necessário ter muito consideravelmente vasto conhecimento, e isso é condição sine qua non para ousar levar aos espaços de representação uma montagem concebida. Mais especificamente na encenação de André Santana, o equívoco já começa pela classificação do espetáculo como sendo teatro de rua - ele não o é. Por isso, se adaptou tão bem ao espaço do palco à italiana. O espetáculo da Eitcha Companhia de Teatro é livre para qualquer espaço, inclusive na rua. Com certeza não é teatro “de rua”, e, sim, teatro “na rua”. Teatro de rua condiz com aquele espetáculo em que o grupo chega sem nenhum aparato sonoro, nem cenográfico, faz a roda e executa sua função concorrendo com o barulho externo, com o inusitado, com o imprevisível. Esse tipo de trabalho é da autêntica estética do teatro de rua. Não utilizar o plano baixo também é uma característica do teatro de rua, no entanto, a direção usa o plano baixo quando da cirurgia realizada na personagem Quitéria, interpretada pela atriz Rose Ribeiro. Aliás, não utilizar o plano baixo no teatro de rua é regra básica, por conta da visão limitada que teriam as pessoas a partir da terceira fileira da roda. Desta maneira, podemos dizer que Dando nó em pingo d’água é teatro livre. O que reforça mais ainda essa tese é o cenário de fundo formando uma rotunda, determinando, assim, que o espaço é à italiana. Em outras palavras: um espetáculo com característica de palco livre, adaptado a qualquer espaço físico. Talvez seja por isso a grande confusão nas marcas do espetáculo, na movimentação cênica do grupo, o que leva ao questionamento: é de rua, é de palco, é livre? Tudo isso desemboca numa grande desordem, pois não sabemos de onde os personagens estão vindo, já que não há marcas precisas, lugares definidos, visto que eles vêm de várias paragens: por trás da tenda, por entre a plateia e até pelo meio da banda/coro. Com isso, o cenário deixa de ter funcionalidade técnica e passa a ser apenas decorativo. Ao ser pensado deve servir à cena, marcar os espaços. Em Dando nó em pingo d’água, em suma, o cenário é pouco explorado. Outra coisa importante é compreender que a direção de um espetáculo de teatro é feita de detalhes, e isso falta muito na montagem. Por exemplo, o início do espetáculo acontece num baile, pois há uma banda tocando. Em nenhum momento, porém, se percebe isso, porque não tem símbolos, não tem significados. Eu só descobri que a abertura é um baile, após a leitura do texto. Outro nó no espetáculo são as cenas que não findam, são sempre atropeladas pela próxima cena. É preciso que a cena que está acontecendo seja finalizada para que a outra comece. A encenação é carente de nuances, tem uma movimentação frenética, mas que não é dinâmica, pois deixa as cenas mal acabadas, com suas passagens mal resolvidas. A quase solitária coreografia é mal executada, não há unidade nem sincronismo nos movimentos, a ela falta treinamento e repetição. É imprescindível estar atento ao utilizar outras linguagens que não só a teatral, como a dança, o circo ou a música, pois se não há domínio técnico os defeitos se evidenciam. Ao diretor que opta por inserir em suas encenações outras linguagens, é preferível cercar-se de profissionais habilitados nas respectivas áreas. É importante reconhecer as limitações de seu elenco, afinal há ótimos atores que são péssimos dançarinos, cantores, instrumentistas, e nesse caso o que conta é a regra. Não é admissível se levar à cena um trabalho de qualquer jeito, a fim de não cair na armadilha da mediocridade. Dirigir um espetáculo de teatro não significa colocar tudo que a gente quer ou o que der na telha, mas, sim, tudo que o espetáculo necessita. Outro ponto crítico é o trabalho de direção de ator, que é completamente frágil; o que se vê são personagens indefinidos, completamente confusos, e sem força, ficando o trabalho a mercê da individualidade de cada ator. O zabumba do personagem tocador tira todas as possibilidades de interpretação do ator Guil Costa. O grupo canta desafinado, e executa os instrumentos sem uma habilidade precisa, com exceção da sanfona: única execução perfeita do espetáculo. Todavia, tem três momentos no espetáculo que me causam bastante preocupação: o primeiro refere-se à cena do guarda-chuva, conduzida melodiosamente pela sanfona, num raro momento de bom gosto da encenação, entretanto, advém de uma inspiração profunda e literal de uma cena do espetáculo Romeu e Julieta, representado pelo Grupo Galpão, de Minas Gerais; apesar da tentativa que o diretor teve em modificá-la, reconduzindo-a de seu lugar na criação original, para outro espaço cênico na montagem desta companhia, é impossível não se reportar ao Romeu e Julieta, do Galpão. O segundo momento reporta-se à trilha sonora, que é muito boa, mas a mistura de músicas sem identificação ao repertório deixa-a mais pobre. O espetáculo não precisa nem dessas musiquetas, nem de piadinhas imediatistas preconceituosas que não dialogam com a encenação, e que são colocadas com o único intuito de fazer a plateia rir a qualquer custo. Um espetáculo tem que se sustentar pela força do seu enredo, e isso o texto Dando nó em pingo d’água tem, não precisa recorrer a artimanhas que mais contribuem para o empobrecimento do seu teatro. E o terceiro momento, o mais preocupante de todos, é a solução cênica encontrada pela direção para a cena da intervenção cirúrgica realizada na cabeça da personagem Quitéria, resolvida por uma gaze envolvida por toda a cabeça. Para dar veracidade a uma operação realizada na cabeça da personagem, o plausível era que o curativo fosse representado por uma touca, no máximo uma bandagem nas laterais do rosto para segurar o resto da touca, pois me parece que essa seria a forma de o curativo estar correto. A transformação da personagem em múmia é bizarra e desnecessária, além de se remeter a uma cena de uma montagem famosa do texto O doente imaginário, de Molière, e também impede a atriz de se fazer compreender, abafando a sua articulação. Dando nó em pingo d’água tem uma concepção cheia de nós cegos que precisam ser urgentemente desatados. O
CENÁRIO: O cenário do biombo como rotunda é interessante, porém pouco funcional para a cena, e pouco utilizado nas marcas de entrada e saída. A falta de definição dos espaços cria uma grande confusão, e é possível ver em vários momentos personagens entrando por um lugar e saindo pelo outro na mesma cena, ou ainda se dirigindo direto para o coro. A plateia precisa saber de onde vêm os personagens: se da casa do prefeito, da casa de Benedito, da praça ou ainda do espaço reservado à banda. Quem tem um biombo possante como o desta montagem da Eitcha Companhia de Teatro, não precisa ter personagens entrando pela plateia, o biombo pode ter uma maior utilidade que vai além de ser apenas um fundo, pode ser o espaço de uma marca ou de uma surpresa. É preciso explorar os mistérios que há por trás do biombo, é preciso mexer com o inconsciente coletivo. É imprescindível que o diretor crie um canal de entendimento com a plateia, ela precisa compreender a história, é um direito dela e um dever do diretor buscar esse êxito, porque espetáculo bom é aquele que o público entende, e o cenário pode ser um grande aliado, se bem usado. OS
FIGURINOS: A criação de Pedro Andrade é bem criativa, têm uma coerência cênica com a proposta do espetáculo, e mantém uma unidade em sua feitura; utiliza bem os tecidos, as texturas, e as cores estão bastante identificadas com a moda nordestina. Por outro lado, a calça meia-perna do personagem Policarpo, composto de listras pretas e brancas, destoa do restante da vestimenta, pois nos remete a um figurino do teatro mais clássico, o que não condiz com a realidade do espetáculo. Salvo esse equívoco, o trabalho de composição dos figurinos é muito bem realizado. OS
ADEREÇOS: Considerando os adornos que compõem a estética do trabalho são criativos, bem executados, porém falta unidade cênica a compor com os figurinos e o cenário. A
MAQUIAGEM: A pintura é pouco expressiva, precisa se apresentar de forma mais evidente, falta o colorido forte, o exagero no traçado da maquiagem que é uma das principais marcas do teatro popular. A
TRILHA SONORA: O trabalho musical se destaca pela originalidade. Tanto as canções de abertura e encerramento, quanto o interlúdio romântico tocado no meio da peça merecem considerável mérito. No entanto, os improvisos musicais cantarolados pela personagem Quitéria, a exemplo do excerto tecnobrega “Ex mai love”, interfere negativamente na trilha original; não cabe numa trilha tão melodiosa a inserção de musiquetas. Em relação a sua execução a coisa complica, em razão de os atores que se propõem a tocar o fazerem com precariedade. O destaque também fica por conta do acordeonista, Felipe Santana, que cumpre com excelência o seu papel como instrumentista, além do ótimo desempenho do ator Guil Costa na Zabumba. O restante do elenco peca pela falta de treinamento mais apurado, e com mais qualidade nessa realização. Um ponto favoravelmente interessante são os breques sonoros que pontuam as cenas, porém falta precisão, com isso os freios acústicos chegam a atrapalhar as falas dos atores. O coro também tem seus problemas, visto que desafina quase que frequentemente durante a execução das canções. É o que já falei anteriormente: ao inserir no teatro outras linguagens é imprescindível trabalhá-las com o mesmo afinco com que se trabalha a interpretação. O espetáculo é o conjunto, então é óbvio que toda linguagem tenha o mesmo grau de importância dentro de um trabalho que agregue diferentes expressões. Em resumo: fazer teatro sério e de qualidade não é algo fácil, mas possível. A
INTERPRETAÇÃO: Costumo avaliar individualmente cada ator, porém nessa montagem faz-se desnecessário, uma feita que a qualidade de atuação dos atores se mantém quase que no mesmo nível. Então, vou me ater a pontuar o conjunto das atuações. No geral, o elenco tem muitas deficiências, a começar pelo trabalho vocal que é absolutamente instável; os atores interpretam durante todo o tempo com a voz na garganta, e no final do espetáculo essa deficiência se concretiza com a nítida rouquidão de alguns deles pelo uso incorreto da voz - quase nenhum ator do elenco tem uma voz definida na criação de seu personagem. Outro nó crítico são as terminações das palavras, os atores são recorrentes em suprimir as últimas sílabas que se esvaem na emissão vocal numa prova concreta de que não houve uma atenção na dicção dos intérpretes da companhia. A exceção fica por conta do ator Solimões Feitosa que interpreta o personagem Capitão João Mariano, que exibe uma voz bem postada, com inflexões exatas e uma projeção coerente. Na hora em que o grupo atua como ditirambo, com o objetivo de responder ou reforçar falas, o faz com inexatidão. Mas o maior nó está na dificuldade que os atores tiveram em apresentar por inteiro a construção e interpretação de seus personagens, como acontece com a atriz Rosana Costa, que inicia uma performance irretocável, valendo-se de uma voz primorosa para sua personagem Rosinha, mas que se dilui até a próxima cena em que retorna completamente fora de sua criação, nos dando a impressão de que se trata de outra figura dramática. O ator Guil Costa é totalmente impedido de evoluir em sua criação por conta do uso da zabumba que ele carrega como uma cruz, um peso morto a serviço de nada. O ator André Santana encontra-se do princípio ao fim da representação total e plenamente desconcentrado, a ponto de não controlar o riso em vários momentos, além de ficar tentando dirigir em cena - um péssimo defeito dos diretores quando também estão atuando, por não conseguirem separar uma função da outra -, atrapalhando bastante a fluidez do espetáculo. Em meio a toda confusão criada, mais uma vez o ator Solimões Feitosa se destaca por desempenhar seu papel a contento, sem comprometer o espetáculo. Por outro lado, agora mais ameno, devo reconhecer que é indiscutível o potencial artístico dos atores Guil Costa, Rosana Costa, César Leite, Rose Ribeiro e Márcio Aislan, atores com grandes atuações em outros trabalhos. No entanto, neste espetáculo em específico, carregam consigo marcas indeléveis de outros personagens compostos anteriormente. Constato que para quem nunca os viu em cena, possivelmente, poderá ter uma boa impressão de suas interpretações. Entretanto, para quem conhece os seus repertórios de composição percebe o quanto é frágil a criação desses tipos cênicos. Penso que é preciso que o elenco, por quem tenho estima e carinho, se reinvente em suas interpretações, para que não tenhamos a permanente sensação de que estamos vendo a repetição de um mesmo personagem. No mais, dizer que desenvolver uma tarefa dentro de um espetáculo de teatro, seja como autor, diretor, ator ou assumindo outra função, é uma tarefa das mais difíceis. Imaginem atribuir três funções ou mais ao mesmo tempo e hora a uma mesma pessoa. Posso afirmar que poucos, pouquíssimos no mundo desempenham tantas funções ao mesmo tempo com igual sucesso. Se analisarmos direitinho, veremos que isso é privilégio para os gênios.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: De todas as críticas que fiz até hoje no língua afiada, com certeza, a crítica ao espetáculo Dando nó em pingo d’água, da Eitcha Companhia de Teatro, foi uma das mais difíceis, exatamente pelo fato de ter sido a montagem com mais problemas técnicos. A direção não é bem definida, há uma obscuridade na concepção que dificulta tecnicamente o entendimento dos vários aspectos da encenação. Contudo, o texto é interessante, o elenco é forte tecnicamente, a trilha é linda, o figurino também, e a própria direção tem algum momento bom. Todavia, é mais do que preciso e necessário levar o espetáculo de volta ao estaleiro, para que o diretor possa corrigir os contra tempos existentes no espetáculo; a começar pelos ajustes no texto, passando por um treinamento intenso com o elenco, no que se refere ao trabalho corporal, vocal, de canto e de musicalidade, inserindo a forma correta de tocar os instrumentos. Feito isso, penso que o espetáculo possa dar tecnicamente um salto. Pois, como diziam os mais antigos, “não adianta ter uma bela viola se por dentro o pão é bolorento”. Ou “não adianta uma saia de vistoso caimento se não tem bom acabamento”.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirNão tive ainda a oportunidade de assistir ao espetáculo. Pude apenas juntar a colcha de retalhos que teceu os comentários do nobre Operário da Arte Raimundo Venâncio e, à partir disto, aguçar minha curiosidade para apreciá-lo em breve. Ainda encontro-me em fase de maturação nas terras sergipanas, mas espero que quando eu estiver pronto para entrar em cena por aqui, consiga o mérito de mangabas suficientes para um copo de suco! Com as saudações teatrais de EDUARDO FREITAS
ResponderExcluirEm tempos de nosso teatro amador nos anos 70, cometíamos erros recorrentes: necessidade de dizer o texto no proscênio, e para dar ênfase e dinâmica à cena, andávamos de um lado para o outro durante a fala (como galinha ciscando). Depois parava para OUVIR o ator da contracena em posição de quem é surdo, com ouvido quase colado na boca do outro... e para responder à deixa, reiniciava a maratona de "ciscar" de um lado pro outro. E tinha o vício de resposta imediata, quase sem esperar a deixa... oque eu chamaria de TEATRO AVEXADO! Mas isto era no teatro amador dos anos 70. Hoje temos teatro profissional e creio que não sobrou sombra deste amadorismo.
ResponderExcluir